“A Fapeu contribui para ampliar a atuação e inserção regional da UFFS”, diz o reitor da UFFS, João Alfredo Braida

17 de dezembro de 2025

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Graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com mestrado em Ciência do Solo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor em Ciência do Solo pela UFSM, João Alfredo Braida é reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) desde setembro de 2023 – o quarto nome a assumir o cargo nos 15 anos de atividades da instituição. Em julho de 2025, também foi eleito vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). “A gestão da reitoria exige uma atenção muito mais focada em ações e articulações internas à própria Universidade. Já a vice-presidência da Andifes amplia o foco de atenção para o plano nacional”, compara o filho de agricultores familiares que nos anos 1970 deixaram o campo em busca de melhores oportunidade de vida aos descendentes. Com campi nos três estados do Sul, a UFFS é a segunda maior parceira de projetos da Fapeu, atrás apenas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Desde 2013 são mais de 60 projetos desenvolvidos em parceria, envolvendo um montante superior a R$ 33 milhões. Nesta entrevista exclusiva à Revista da Fapeu, o reitor da UFFS fala sobre a gestão e os planos para a instituição, o desafio na Andifes e a importância das fundações de apoio e a presença da Fapeu nos trabalhos de pesquisa, ensino e extensão da UFFS.

 

Como o senhor avalia os dois primeiros anos à frente da UFFS e como projeta os dois próximos, que fecham o ciclo deste mandato?

João Alfredo Braida - Nestes primeiros dois anos de gestão à frente da UFFS (2023–2025), trabalhamos para consolidar a autonomia institucional, fortalecer a unidade institucional, aprofundar a participação democrática da comunidade universitária e ampliar as bases para um ensino mais inclusivo e de qualidade. Foi um período marcado pela retomada plena da gestão democrática e pela promoção da representatividade, destacando-se, inclusive, a primeira vice-reitoria feminina na nossa história. Acabamos de finalizar a elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2025-2032, em um processo participativo envolvendo estudantes, servidores docentes e técnico-administrativos em educação e a comunidade regional. Não foram anos tranquilos, em especial em face das dificuldades orçamentárias e restrições à ampliação do quadro de servidores que enfrentamos nesse período, mas com muito trabalho e diálogo, penso que conseguimos dar passos significativos na construção da universidade pública, popular e democrática com que sonhamos.

No biênio final (2025–2027), orientados pelo PDI 2025/32, pretendemos avançar em políticas estruturantes como a revisão do currículo institucional, a consolidação da pesquisa e a expansão da pós-graduação, o fortalecimento da extensão integrada à pesquisa e ao ensino, além do desenvolvimento de infraestrutura estratégica, para consolidar a UFFS como protagonista no desenvolvimento regional, seja pela produção de conhecimento e tecnologias adequadas às demandas da sociedade, seja pela qualificação da educação superior ofertada em nossos cursos de graduação e pós-graduação. Destacamos, ainda, a necessidade de uma atenção especial aos problemas de evasão e retenção observados em nossos cursos de graduação, para que as políticas de inclusão na educação superior sejam efetivas.

A implantação do Hospital Universitário é uma das prioridades? Como está o andamento deste processo?

João Alfredo Braida - A implantação de um Hospital Universitário (HU) junto ao Campus Chapecó é uma necessidade, tanto para ampliar e qualificar a oferta à população regional de serviços de saúde de média e alta complexidade, quanto para qualificar e ampliar o ensino e potencializar as atividades de pesquisa e extensão na área de saúde desenvolvidas pela UFFS. Por isso, pode-se dizer que a implantação do HU é uma prioridade estratégica, que apresentamos ao Ministério da Educação (MEC) em 2024. Em junho de 2025, o MEC autorizou a realização de uma estudo técnico, pela equipe da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), para avaliar a necessidade e viabilidade técnica da implantação do HU em Chapecó. No início do mês de julho, a equipe da Ebserh realizou uma visita ao campus Chapecó, para conhecer nossa infraestrutura e as estruturas de saúde (Hospital Regional Oeste, Hospital da Criança etc.) utilizadas atualmente para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, em especial por nossos cursos de graduação em Enfermagem e Medicina e programas de residências médicas. A partir desse estudo técnico, o MEC, junto com a Ebserh e o Ministério da Saúde, decidirá se autoriza a implantação do HU, o que deve ocorrer até o final de 2025. Enquanto aguardamos, estamos em diálogo com as lideranças políticas do Estado de SC, em especial da bancada federal, com vistas a buscar apoio para a implantação do HU em Chapecó.

 

Um desafio está na metade (na Reitoria da UFFS) e outro está começando (a vice-presidência da Andifes). Quais as diferenças e as similaridades entre esses dois desafios?

João Alfredo Braida - A gestão da reitoria exige uma atenção muito mais focada em ações e articulações internas à própria Universidade, como a coordenação da equipe de pró-reitorias, interlocução com as direções dos campi e conselhos, condução de políticas acadêmicas e administrativas para o desenvolvimento institucional. Já a vice-presidência da Andifes amplia o foco de atenção para o plano nacional, pois envolve atividades de representação, de articulação federativa e defesa dos interesses de 71 instituições (69 universidades e dois Cefet), junto ao governo federal, ao Congresso Nacional e à sociedade civil.

Entretanto, a despeito desses diferentes focos e níveis de atuação próprios de uma instituição singular (UFFS) e de um coletivo de instituições singulares (Andifes), ambos os papéis exigem diálogo permanente, comprometimento com a educação pública e capacidade de liderança colaborativa para fortalecer os pilares de uma universidade democrática, inclusiva e socialmente referenciada.

Qual a importância de a UFFS ter seu reitor como um dos principais dirigentes da Andifes, a instituição que representa as instituições federais de ensino superior junto ao governo federal?

João Alfredo Braida - A presença do reitor da UFFS na vice-presidência da Andifes fortalece nossa capilaridade política em Brasília e aproxima a realidade institucional e regional dos canais de tomada de decisão nacionais. Possibilita, também, oportunidade de defender pautas essenciais para a UFFS, como financiamento sustentável, políticas de assistência e permanência estudantil, de manutenção da autonomia universitária e de consolidação das Universidades e, ao fazê-lo, poder trazer à mesa federal exemplos de situações vivenciadas pela UFFS, em especial no que se refere à interiorização da educação superior pública e atuação comunitária, elementos presentes no DNA da nossa universidade.

Portanto, ter o reitor na diretoria da Andifes é uma oportunidade para ampliar a inserção da UFFS no cenário nacional, ganhar protagonismo em debates estratégicos e potencializar sua capacidade de articulação institucional, estreitando relações com outras Universidades, o que pode abrir caminhos para novas parcerias e projetos de desenvolvimento institucional.

Como o senhor vê a UFFS nos próximos anos?

João Alfredo Braida - Vejo a UFFS como referência em educação superior pública de qualidade na Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul, com a consolidação de nossos campi, com expansão equilibrada da oferta de cursos de graduação e pós-graduação, com forte articulação com as demandas do território através de programas e projetos de extensão e que permitam articular redes de pesquisa regionais. Enfim, uma Universidade com atuação regional, com forte impacto social e protagonismo na formação de profissionais comprometidos com o desenvolvimento sustentável, inclusivo e regionalmente relevante.

Na sua opinião, por que as fundações de apoio, como a Fapeu, são importantes para a pesquisa, o ensino e o desenvolvimento do país?

João Alfredo Braida - Penso que as fundações de apoio são fundamentais para ampliar e fortalecer a atuação da Universidade, por possibilitarem agilidade, segurança jurídica e mão de obra especializada na gestão técnica-administrativa de projetos de pesquisa, extensão e inovação. A atuação das fundações de apoio facilita a execução de ações da Universidade, mediante o apoio à captação de financiamento e o gerenciamento de recursos financeiros, contratação de serviços, compras de materiais e equipamentos e prestação de contas, entre outros. Contribuem, por isso, para que docentes/pesquisadores possam concentrar suas energias no desenvolvimento das atividades acadêmicas, ou seja, potencializam o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão.

E, mais especificamente, qual a importância da Fapeu para UFFS?

João Alfredo Braida - A Fapeu atua como fundação de apoio da UFFS desde 2013 e, nesse período, atuou no desenvolvimento de cerca de 60 projetos de ensino, pesquisa e extensão, totalizando mais de R$ 33,5 milhões, sem considerar aditivos e correção monetária. Nesses projetos, a Fapeu realizou suporte técnico, administrativo e financeiro que, dadas as condições próprias da Universidade, foram imprescindíveis para a realização desses projetos. Assim, se pode afirmar que a Fapeu é importante para a UFFS porque, ao possibilitar o desenvolvimento de projetos de pesquisa/inovação, de difusão do conhecimento e de formação, contribui para ampliar a atuação e inserção regional da Universidade.

 

* Esta entrevista faz parte da Revista da Fapeu nº 16, disponível na íntegra em https://fapeu.org.br/revistafapeu