Pesquisa da UFSC coloca a ciência a favor do ambiente e da economia

28 de abril de 2026

Imagem 1
Imagem 2
Imagem 3
Imagem 4

Um projeto desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) colocou a ciência a favor do meio ambiente e da economia em um trabalho realizado em Canoinhas, no Planalto Norte catarinense. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) foi a responsável pela gestão administrativa e financeira da iniciativa. “A Fapeu teve papel central na viabilização do projeto, administrando os recursos e garantindo a infraestrutura necessária para a execução”, destacou o coordenador do trabalho, professor Tiago Montagna.

 

Ao longo de aproximadamente seis meses, entre o final de 2024 e o primeiro semestre de 2025, a equipe coordenada pelo professor Montagna avaliou os impactos de uma eventual supressão de cerca de 40,8% de um fragmento de Floresta Ombrófila Densa na diversidade genética de populações de Araucaria angustifolia (araucária), Ocotea porosa (imbuia) e Curitiba prismatica (cerninho), espécies ameaçadas ou de ocorrência restrita. O estudo foi realizado em uma área 12,8 hectares (ha) da Cia. Canoinhas de Papel, localizada no município do Planalto Norte de Santa Catarina.

 

A pesquisa foi demandada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), órgão responsável pelo licenciamento ambiental no Estado, como requisito para a expansão da planta industrial da empresa. Contratado pela Restauração Ambiental Sistêmica Ltda., o trabalho foi executado pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais da UFSC. “O objetivo central foi avaliar se a supressão de 5,22 ha poderia causar perdas relevantes de diversidade genética nas espécies-alvo, comparando-se indivíduos da área destinada à supressão com os da área de conservação (7,58 ha)”, explicou o coordenador do projeto.

 

Resultados

 

Para a realização da pesquisa foram coletadas amostras foliares, posteriormente submetidas a análises isoenzimáticas no Laboratório de Fisiologia do Desenvolvimento e Genética Vegetal da UFSC. Em linhas gerais, os resultados apontaram que as populações de araucária e imbuia apresentavam níveis elevados de diversidade genética, superiores ou compatíveis com médias já reportadas para o Estado. Contudo, a eventual supressão acarretaria redução populacional: cerca de 55% dos indivíduos de araucária, 70% dos de imbuia e 40% dos de cerninho seriam eliminados. “Isso implicaria maior risco futuro de perda de diversidade por deriva genética”, apontou o estudo. Para o cerninho, a diversidade genética revelou-se baixa, mas a população local é numerosa (mais de 2 mil indivíduos), o que atenua os riscos imediatos de perda. 

 

“Apesar das perdas potenciais, o parecer final concluiu que a supressão é viável, desde que acompanhada de medidas de compensação, como a coleta e produção de mudas a partir de sementes de indivíduos portadores de alelos exclusivos, o cessar das roçadas realizadas no local e o incremento do tamanho populacional das espécies alvo na área de manutenção”, ressaltou o professor Montagna.

 

Inéditas

 

A equipe de trabalho foi integrada por seis pesquisadores, incluindo docentes, mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais e graduandos em Agronomia que atuaram em todas as etapas, desde a coleta em campo às análises laboratoriais e interpretação dos dados.

 

“Do ponto de vista científico e social, o projeto contribuiu com informações inéditas sobre a diversidade genética dessas espécies em Canoinhas, fornecendo subsídios para o manejo e para a conservação em cenários de impacto ambiental.  Além disso, gerou protocolos que podem ser replicados em outros empreendimentos e orienta estratégias de restauração, assegurando que a expansão industrial ocorra de forma menos danosa ao patrimônio genético florestal”, salientou o professor Tiago Montagna. “Assim, este estudo representa não apenas um requisito técnico para o licenciamento, mas também um avanço no conhecimento científico e prático sobre a conservação genética de espécies-chave da Mata Atlântica”, definiu o docente.

PROJETO: DIVERSIDADE GENÉTICA DE ARAUCÁRIA, IMBUIA E CERNINHO EM ÁREA DE POSSÍVEL SUPRESSÃO FLORESTAL / COORDENADOR: Tiago Montagna / monttagna@gmail.comUFSC / Departamento de Fitotecnia / CCA / 6 participantes

 

Esta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em https://fapeu.org.br/revistafapeu