Projeto avalia o impacto das residências nos serviços da atenção primária do SUS

19 de janeiro de 2026

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Um projeto desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, está avaliando o impacto da formação em residências na qualificação das equipes da Atenção Primária em Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde, o SUS.

Chamado de #FuiResidente e realizado em todo o país, o trabalho é financiado pelo Departamento de Gestão da Educação na Saúde (Deges) do Ministério da Saúde, por meio do Fundo Nacional de Saúde, e conta com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), que gerencia os recursos do projeto, viabilizando a execução das atividades.

Os trabalhos começaram em 2024, com previsão de dois anos de realização. “O projeto avalia o impacto da formação em Programas de Residência Multiprofissional em Saúde e em Medicina de Família e Comunidade na qualificação do cuidado e do trabalho em equipe na Atenção Primária à Saúde no SUS”, define a coordenadora da iniciativa, Silvana Nair Leite, que é professora do Departamento de Ciências Farmacêuticas da UFSC. “Apesar da importância das Residências para a qualificação da Atenção Primária no SUS, há poucos estudos que avaliem, de forma sistemática, os efeitos dessa estratégia de formação no desenvolvimento de competências para o trabalho em equipe e como isso impacta os serviços de saúde”, ressalta a docente.

A Atenção Primária à Saúde é o primeiro nível de atenção em saúde e se caracteriza por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo. Há diversas estratégias governamentais relacionadas à APS, sendo uma delas a Estratégia de Saúde da Família (ESF), que leva serviços multidisciplinares às comunidades por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), por exemplo. Consultas, exames, vacinas, orientações e outros procedimentos são disponibilizados aos usuários nas UBSs. 

Os primeiros programas de residência em Medicina de Família e Comunidade iniciaram suas atividades em 1976, e a especialidade médica foi reconhecida em 2002. Entre 2005 e 2013, a inserção de profissionais não médicos foi ampliada de forma expressiva com o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf). Em 2023, a estratégia se reestruturou com as equipes multiprofissionais (e-Multi).

“As residências em saúde são consideradas a formação padrão-ouro para a atuação no SUS, pois oferecem um aprendizado baseado na prática em serviço, integrando ensino e trabalho em um ambiente real de cuidado à população. Esse modelo possibilita o desenvolvimento de competências interprofissionais, fundamentais para o trabalho em equipe, além de fortalecer a compreensão das políticas públicas de saúde e a aplicação dos princípios do SUS, como a integralidade, a equidade e a participação social”, observa a professora Silvana Leite. “A formação em residência qualifica profissionais de saúde para oferecer um cuidado integral, resolutivo e humanizado aos usuários do SUS”, acrescenta.

 

Potencial

 

O projeto envolve a coleta de dados em todas as regiões do Brasil. Inicialmente, com grupos focais e entrevistas em diferentes cidades com egressos das Residências que estão atuando no SUS. E, em um segundo momento, com a condução de um amplo inquérito nacional com egressos das residências realizadas na APS.

No início dos trabalhos, um grupo de especialistas de variadas categorias profissionais (enfermagem, farmácia, fisioterapia, medicina, nutrição, odontologia, profissional de educação física, serviço social), com ampla experiência em educação interprofissional, APS e residências em saúde, atuantes no serviço e/ou na academia, desenvolveu uma matriz de competências interprofissionais para a APS no SUS.

“Diversos estudos já demonstram o potencial e o impacto da formação em residência na qualificação da Atenção Primária à Saúde e na melhoria dos serviços ofertados à população. No entanto, este projeto traz um recorte específico, focado na perspectiva da interprofissionalidade, analisando como a formação interprofissional influencia o trabalho em equipe e, consequentemente, os desfechos em saúde da população”, ressalta a professora Silvana. Alguns resultados preliminares foram apresentados em novembro de 2024 no 7º ABCF Congress 2024, realizado em Florianópolis.

Com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2026, a equipe de trabalho envolve docentes da UFSC e da UEL dos cursos de Saúde Coletiva, Farmácia, Medicina, Enfermagem, Odontologia, Serviço Social e Educação Física, além de pós-doutorandos, doutorandos, mestrandos e alunos de iniciação científica.

 

PROJETO: AVALIAÇÃO DE IMPACTO DA FORMAÇÃO EM RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAL E EM MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE PARA A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO SUS: #FUIRESIDENTE / COORDENADORA: Silvana Nair Leite / silvana.nair.leite@ufsc.br; fuiresidente@gmail.com / UFSC / Departamento de Ciências Farmacêuticas / CCS / https://www.instagram.com/fui_residente/

* Esta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em https://fapeu.com.br/revistafapeu