Projeto busca reforçar serviços dos Ciatox existentes no Brasil

27 de março de 2026

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Um projeto coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) busca aperfeiçoar os serviços prestados pelo Centros de Informação e Assistência Toxicológicas (CIATox) do Brasil. Os CIATox são unidades públicas especializadas na orientação e atendimento em casos de intoxicações e de acidentes por animais peçonhentos.

Considerados referências para o suporte aos profissionais de saúde da rede de urgência e emergência e na orientação da população, os Centros também atuam para difundir informações e apoiar tecnicamente os profissionais de saúde da atenção básica à alta complexidade e vigilâncias em saúde, fomentando a educação e atuando em campanhas de orientação.

No país há atualmente 32 Centros em atividade. Em Santa Catarina, o CIATox funciona no Hospital Universitário da UFSC por meio de uma parceria entre a Universidade, a Secretaria de Estado da Saúde e a HU Brasil, antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). “O projeto envolve ações da Universidade e do Ministério da Saúde junto aos CIATox visando à qualificação da assistência toxicológica no Brasil”, destaca a professora Mareni Rocha Farias, coordenadora do projeto.

 

Diagnóstico

 

Financiada pelo Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, a iniciativa conta com apoio da Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica e Toxicologistas Clínicos (Abracit) e é desenvolvida em colaboração com as Universidades Regional de Blumenau (Furb), Federal do Amazonas (Ufam) e Estadual de Londrina (UEL). A Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) participa do trabalho fazendo a organização financeira e administrativa dos recursos repassados pelo Ministério da Saúde.

Iniciado no final de 2024, o trabalho atualiza um estudo realizado em 2021 junto às unidades ativas no país naquele ano. “O diagnóstico apontou a necessidade de ações de planejamento, visando à operacionalização em rede, na tentativa de minimizar arestas relacionadas à insuficiência e à disparidade na cobertura dos atendimentos”, lembrou a professora Mareni Farias sobre o trabalho realizado naquele ano, que contou também com apoio financeiro do Ministério da Saúde.

 

Plantão

 

Hoje existem 32 CIATox, distribuídos pelas cinco regiões do país. “A ideia do atual projeto é propor um sistema de categorização dos CIATox, validado pelos próprios e aplicado como autoavaliação, e realizar uma atividade de planejamento visando à qualificação dos CIATox, considerando a matriz avaliativa proposta”, explica Filipe Carvalho Matheus, professor da UFSC e pesquisador do projeto, que ainda conta com apoio da professora aposentada da UFSC e ex-coordenadora do CIATox-SC, Marlene Zanin.

Em Santa Catarina, o CIATox mantém um serviço de plantão 24 horas, que presta informações específicas em caráter de urgência em casos de intoxicação (exposição a medicamentos, agrotóxicos, produtos de limpeza, produto de higiene, drogas etc.) ou de acidentes com animais peçonhentos (serpentes, aranhas, escorpião, lagartas, água-viva, entre outros).

 

Gratuito

 

O serviço gratuito é disponibilizado a profissionais da saúde e à população em geral pelo telefone 0800 643 5252 ou de forma presencial, no Hospital Universitário da UFSC.  A estrutura do CIATox conta com uma equipe multidisciplinar que envolve médicos, farmacêuticos, enfermeiros, bióloga, professores, técnico-administrativos e estudantes de Medicina, Farmácia, Biologia, Design e Ciência da Computação.

Os primeiros casos de intoxicação foram atendidos no Centro catarinense em 14 de maio de 1984, quatro dias após a instalação oficial da unidade no Hospital Universitário. A mobilização para criação do Centro, no entanto, havia começado em 1981 quando o farmacêutico Ilton Oscar Willrich foi designado para coordenar a implantação de um Centro de Informações Toxicológicas (CIT) em Santa Catarina. O convênio entre a Fiocruz/Ministério da Saúde e Secretaria de Estado da Saúde, com a participação da UFSC, foi firmado em 10 de outubro de 1983. E sete meses depois, em 10 de maio de 1984, sob coordenação do professor Sérgio Roberto Vieira, a unidade foi inaugurada nas dependências do HU.

 

Dados

 

Em 2014, o sistema Datatox e Bi-Datatox foi implantado nos CIATox de forma gradativa, permitindo a uniformização dos registros de atendimento dos casos. Atualmente, a Abracit divulga os dados atualizados dos atendimentos dos centros que utilizam o sistema no site https://painel.datatox.abracit.org.br/inicio.

Somente em 2024 estes centros realizaram 135.590 atendimentos, com 63.190 casos envolvendo medicamentos e 46.526 sobre acidentes com animais peçonhentos. A análise histórica dos registros do Datatox aponta que 16,8% dos casos são de crianças entre um e quatro anos e 29,8% entre 20 e 39 anos. Quanto à circunstância, 55,9% são acidentais; 23,9%, tentativa de suicídio; e 3,9% de intoxicações ocupacionais.

 

PROJETO: QUALIFICAÇÃO DA ASSISTÊNCIA E VIGILÂNCIA DAS INTOXICAÇÕES AGUDAS E CRÔNICAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS): DIAGNÓSTICO, PLANOS DE AÇÃO E ANÁLISE DA MATRIZ AVALIATIVA COMO MODULADORA DO PLANEJAMENTO E ACOMPANHAMENTO - PLANEJA-CIATOX / COORDENADORA: Mareni Rocha Farias / mareni.f@ufsc.br / UFSC / Departamento de Ciências Farmacêuticas / CCS / 10 participantes

Eta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em https://fapeu.com.br/revistafapeu