UFSC desenvolve pesquisa inédita sobre regeneração óssea
7 de abril de 2026
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está coordenando uma pesquisa inédita que analisa a eficácia do estímulo elétrico na regeneração óssea ao redor de implantes dentários. Com financiamento da Fundação ITI (International Team for Implantology), associação global com mais de 25 mil membros sediada na Suíça e dedicada à promoção e disseminação do conhecimento na área da Implantodontia, o trabalho é realizado em colaboração com a Universidad Complutense de Madrid, da Espanha, e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu é responsável pela administração financeira e operacional dos recursos, garantindo que a gestão do projeto ocorra de forma eficiente e segura. Isso permite que a equipe concentre seus esforços na pesquisa científica”, ressalta o professor Gabriel Leonardo Magrin, coordenador da iniciativa.
Os trabalhos começaram em fevereiro de 2024 e devem se estender até o final de 2026. “Este projeto busca avaliar, pela primeira vez na odontologia, o uso da estimulação elétrica para melhorar a formação de osso ao redor de implantes dentários colocados em áreas com defeitos ósseos. Durante o tratamento, utiliza-se um dispositivo elétrico miniaturizado acoplado ao implante capaz de emitir correntes elétricas de baixa intensidade que estimulam a vinda de células ósseas e favorecem o crescimento e a cicatrização tecidual”, explica o coordenador.
Potencial
As atuais técnicas de reconstrução óssea são consideradas eficazes, porém podem apresentar um tempo de cicatrização prolongado ou resultados limitados. “Ao acelerar e melhorar o processo de formação óssea, a estimulação elétrica tem o potencial de reduzir o tempo de tratamento, aumentar a taxa de sucesso da regeneração óssea ao redor dos implantes e melhorar o conforto e a qualidade de vida dos pacientes”, ressalta o coordenador do projeto.
Estudos anteriores realizados pelo grupo de pesquisa do Centro de Ensino e Pesquisa em Implantes Dentários (Cepid) da UFSC, da qual o professor faz parte, bem como publicações de outros centros de investigação, já apontavam que correntes elétricas poderiam aumentar o contato ossoimplante e acelerar a cicatrização óssea em modelos de osseointegração. “A diferença é que o atual projeto de pesquisa é o primeiro a combinar a estimulação elétrica com a regeneração óssea guiada, visando à obtenção de melhor desempenho na formação de tecido ósseo em implantes instalados em regiões com defeitos ósseos”, detalha Gabriel Magrin.
Porcos
A pesquisa ainda conta a participação da empresa Straumann, que doou biomateriais para regeneração óssea para a execução dos estudos, e da Universidade de Rio Verde (UniRV), de Rio Verde (GO), onde ocorrem ensaios com mini porcos. “A realização das intervenções em animais permitirá testar de forma controlada a eficácia da tecnologia antes de avançarmos para estudos clínicos em humanos”, explica Magrin.
O estudo tem como modelo experimental os miniporcosdevido à semelhança anatômica entre a mandíbula dos animais e a humana, além da maior segurança para os pesquisadores durante os procedimentos. “Já realizamos pesquisas com coelhos, ovelhas e ratos, mas esta é a primeira com miniporcos. Neste projeto, os pesquisadores criam uma falha na mandíbula do animal onde é colocado o implante que, após o acoplamento do dispositivo de estimulação, emite uma pequena descarga elétrica contínua para estimular a formação óssea”, explicou o professor Tiago Treichel, diretor da Faculdade de Medicina Veterinária da UniRV.
No começo de julho de 2025, a equipe da UFSC esteve na UniRV para a realização de cirurgias nos animais. “Foi uma semana de pesquisa e de aprendizado intenso em Rio Verde com nosso time do Cepid em parceria com a Medicina Veterinária da UniRV. Os animais contribuem silenciosamente para o progresso humano e merecem respeito. O uso ético de animais na ciência exige valorização, responsabilidade e rigor. Que essa pesquisa seja mais um capítulo de ciência, progresso e inovação na implantodontia”, disse, na ocasião, a aluna de doutorado e integrante do projeto Ana Clara Kuerten Gil.
Eficácia
Além da estudante e do coordenador, também participam do projeto a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGO) da UFSC e pesquisadora na Universidade de Berna (Suíça), Roberta Michels, que é a responsável pelo processamento histológico das amostras e pela aquisição de imagens para análise microtomográfica e histomorfométrica; o professor do Departamento de Odontologia da UFSC, Cesar Benfatti, pesquisador em estimulação elétrica e participante das etapas de intervenção nos animais e de análise dos dados; o professor Mariano Sanz, expert em regeneração óssea e supervisor das atividades na Universidad Complutense de Madrid; e Jamil Shibli, professor da Universidade de Guarulhos (SP) e consultor especialista nos dispositivos de estimulação elétrica utilizados no estudo.
Após a análise dos dados coletados, a equipe pretende publicar os resultados em periódicos internacionais de alto impacto e apresentá-los em congressos de relevância mundial. “Caso os achados da pesquisa confirmem os benefícios da estimulação elétrica na regeneração óssea peri-implantar, será possível planejar estudos clínicos para verificar a eficácia da técnica em pacientes”, detalha o coordenador.
PROJETO: ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA PARA MELHORAR A FORMAÇÃO ÓSSEA PERI-IMPLANTAR EM PROCEDIMENTOS REGENERATIVOS / COORDENADOR: Gabriel Leonardo Magrin / gabriel.magrin@ufsc.br / UFSC / Departamento de Odontologia / CCS / 6 participantes
Esta reportagem integra a Revista da Fapeu 16, disponível na íntegra em https://fapeu.org.br/revistafapeu